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 <title>NH18 - Contos</title>
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 <title>O Amigo do meu Amigo</title>
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 <description>&lt;p&gt;O Amigo do meu Amigo (by &lt;span class=&quot;caps&quot;&gt;THVAZ&lt;/span&gt;)	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Apenas mais uma casa comum de cidade do interior. Nada mais do que isso. Como todas as outras deste tipo, tinha muros altos e uma grade na frente; um jardim mal-cuidado e uma varanda. Talvez nos fundos haveria outra. Esse mesmo estilo de casa em que a maioria das pessoas cresce. Quer dizer, a maioria das pessoas de cidades interioranas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Esta casa era vizinha à minha. Eu era um garoto na época, e como todo moleque do interior, vivia na rua jogando bola. Era um lugar tranquilo, com vizinhos amigáveis, pouco tráfego, e nenhum crime. E como estava sempre na rua, vi o exato momento em que aquela família vinda da capital chegou. Os garotos todos correram para poder ver melhor os móveis que eram descarregados do Mercedez-Benz velho e desbotado parado na porta da casa. Eu fui com os outros, e não pude deixar de observar atentamente a família que descia do Volkswagen azul-calcinha. Um homem sério e gordo, que ostentava uma barba cheia, uma mulher loura e pequena, já com seus trinta anos, e uma criança, um menino, pequeno e mirrado, que olhava desconfiado para todos os lados. Devia ter a minha idade, se bem que aparentava ter menos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Logo a nova família deixou de ser novidade e voltamos à nossa vida normal de criança: brincadeiras de pega, esconde-esconde, peladas na rua&amp;#8230; E nunca víamos o menino. Os outros não se importaram ou não se perceberam disso, mas eu achava muito estranho&amp;#8230; O garoto nem ao menos ia às aulas. Mas, fazer o quê?Eu era uma criança, para mim isso era estranho e ponto, não podia fazer mais nada, apenas achar estranho. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Então continuei minha vida. Às vezes escutava choros de mulher vindo da casa, mas isso era normal naquela época, pois sempre via minha mãe fazer o mesmo. Normal. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;No entanto, tempos depois, em mais uma pelada na rua, vi o menino no portão de sua casa, agarrado às grades, olhando atentamente para o nosso jogo, com aquela cara de criança. Estávamos precisando de alguém para o gol, então o chamei. Os garotos da rua eram amigáveis, e o chamaram também. Então, meio receoso, ele veio e jogou conosco, durante muito tempo. Era bom de bola, e conseguiu a amizade do pessoal logo. No entanto, era muito calado, e custamos, a saber-lhe o nome.Samuel. Depois do jogo, fiquei conversando com ele por muito tempo, antes de entrar em casa para a janta. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Ele me contou que morava em São Paulo, estudava em uma boa escola, mas seus pais nunca o deixavam sair. Nunca antes tivera amigos. Na escola os outros garotos faziam pouco dele, ninguém queria chamá-lo para conversar. Por isso era tão calado, pensei. Mas por quê contava isso tudo para mim? , perguntei. Ele me disse que Al havia gostado de mim.Achei estranho.Que Al era esse? Não sei porquê, o assunto se desviou e não me lembrei de perguntar quem era Al naquela ocasião. Crianças, você sabe como é. Basta surgir algo interessante e esquecem-se do que faziam. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Os dias passaram, e eu me esqueci completamente do Al. Às vezes via Samuel e o chamava para brincar, mas ele somente negava com a cabeça e entrava em sua casa. Os garotos da rua começaram a desconfiar do menino e se afastaram dele. Eu, não sei porquê, achava algo interessante nele. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Após algum tempo minha mãe acabou ficando amiga de Dona Ivone, a mãe de Samuel. Ela era visita constante em minha casa, mas nunca levava Samuel, apesar da insistência de minha mãe. Eu ficava sempre por perto, e escutava Dona Ivone sempre se lamentar que Samuel era problemático. Mas nunca escutava o porquê. Era algo relacionado aos tempos em que moravam na capital. E eu também, escutando estas conversas, descobri que Al era um amigo invisível do garoto. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Algo não tão estranho deve concordar. Eu mesmo, dissera minha mãe, tive um na época em que começava a aprender a ler. Minha mãe, muito bondosa e querendo ajudar, ofereceu-se por mim para que eu fizesse companhia com o garoto. Eu não a desobedecia, mas fui sem desgostar. E toda tarde eu ia visitá-lo. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Tentava levá-lo para rua, mas ele sempre dizia que Al não gostava de sair. Não havia gostado dos outros meninos. Eu comecei a achar aquilo normal, o menino não apresentava nenhuma esquisitice maior do que essa do amigo invisível. Até brincava com ele sobre o assunto. Certa vez, chamando-o para jogar bola, apontei para seu lado, como se apontasse para o Al, e disse &amp;#8220;quê isso Al, vamos bater uma bolinha&amp;#8230;&amp;#8221; e recebi a resposta de Samuel: 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;- Al não está do meu lado. Está atrás de você. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Eu juro que um arrepio percorreu minha espinha, pois tive a impressão que havia alguém atrás de mim. Eu nunca havia me assustado com Al antes. Eu fiquei tão apavorado que não tive coragem de voltar-me para trás com o receio de encontrar a face do amigo de Samuel. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;- Al está com raiva de você &amp;#8211; disse Samuel. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Desde aquele dia não mais voltei à casa de Samuel sozinho. Ia sempre com minha mãe, praticamente obrigado por ela. Ela achava que era bobagem minha ficar com medo de uma coisa tão inocente quanto um amigo invisível. Mas ela não havia &amp;#8220;sentido&amp;#8221; o Al como eu senti. Era algo mal. Não sabia como ou porquê, mas sabia que era mal. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Nessas visitas, Samuel me contava sempre que Al dizia que iria me pegar. Ele falava para o Al que eu era amigo, que era uma boa pessoa, mas ele não escutava. Em uma dessas ocasiões, Samuel me contou que Dolores, a doméstica da casa dele, sempre lhe batia, e que Al disse que ia matá-la. Também disse que estava com medo, pois desde esse dia não viu Al. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;A partir de então, nem empurrado eu ia à casa de Samuel, e fazia de tudo para minha mãe não ir. Ela ria de minhas preocupações. Eu disse que Dona Dolores ia morrer, mas ela não acreditou. Ninguém acreditou em mim. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;E certo dia, quando o pai de Samuel voltou do trabalho, encontrou sua esposa e Dona Dolores esquartejada dentro de sua casa. Eu e toda vizinhança escutamos os gritos, e o presenciamos levar Samuel todo ensangüentado para dentro do carro, enquanto o menino gritava: &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;- Eu juro papai, não fui eu, foi o Al de novo! Foi o Al! &lt;span class=&quot;caps&quot;&gt;FOI&lt;/span&gt; O AL! 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Meu pai foi ver o que tinha ocorrido, e voltou vomitando o jantar. A polícia foi chamada, a imprensa esteve em nossa cidade, o país inteiro nos viu. As investigações mostraram que as duas mulheres foram assassinadas com requintes de crueldade, por uma pessoa que deveria ser muito mais forte do que Samuel, pois a cabeça de Dona Ivone fora arrancada com um só golpe, segundo as perícias. Samuel foi internado por seu pai, que nunca mais deu notícias, e acabou suicidando-se dois anos depois, na clínica. A arma do crime nunca foi encontrada. Samuel foi responsabilizado.Ficou conhecido como o Psicopata Juvenil. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Aquele acontecimento não me afetou tanto quanto pode parece, pois eu cresci, formei-me, casei-me e tive um filho, tudo na mais absoluta normalidade. Podia até ter dito que havia esquecido de Samuel e de Al. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;Mas ontem fui na casa de meus pais com minha mulher e filho. Na volta, meu filho contou-me que havia conhecido um novo amigo no quintal da casa da vovó. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;- Que bom filho! Qual é o nome dele? &amp;#8211; perguntei. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;- Al, papai. E ele me disse que não gosta de você. 	&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;p&gt;&amp;#8212;&amp;#8212;&amp;#8212;-&lt;span class=&quot;caps&quot;&gt;THIAGO&lt;/span&gt; &lt;span class=&quot;caps&quot;&gt;VAZ&lt;/span&gt; DE &lt;span class=&quot;caps&quot;&gt;MELO&lt;/span&gt; COSTA&lt;/p&gt;
&lt;br class=&quot;clear&quot; /&gt;</description>
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 <category domain="http://www.nh18.com.br/v1.0/taxonomy/term/35">Contos</category>
 <pubDate>Sat, 20 Aug 2005 12:34:27 -0700</pubDate>
 <dc:creator>Guigo</dc:creator>
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